Especialistas da universidade de tecnologia ETH Zurich e do instituto de pesquisa Empa desenvolveram um processo que utiliza o mineral estruvita para converter a serragem em um material compósito reciclável e não combustível.
De acordo com a pesquisaliderado por Ronny Kürsteiner, o material poderia ser usado em paredes internas e oferecer uma alternativa leve aos painéis de aglomerado cimentício.
Para fazer o material compósito, os pesquisadores usaram uma enzima extraída de sementes de melancia para controlar a cristalização da estruvita – um fosfato de amônio e magnésio incolor com propriedades de proteção contra fogo.
Grandes cristais foram formados no processo, preenchendo as cavidades entre as partículas de serragem e unindo-as. O material foi prensado em molde por dois dias e posteriormente retirado para secar.

Os pesquisadores afirmam que o material poderia ganhar a mesma classe de proteção contra fogo que os painéis de partículas aglomeradas com cimento, que são frequentemente usados para acessórios internos.
Os painéis de partículas aglomeradas com cimento são normalmente pesados e têm uma elevada pegada de carbono, mas o composto de serradura de estruvita oferece uma alternativa leve e amiga do ambiente.
A pesquisa descobriu que o composto de serragem de estruvita possui propriedades não combustíveis e resistentes ao fogo.
Quando aquecido, o mineral se decompõe e libera vapor d’água e amônia, absorvendo o calor do ambiente e criando um efeito de resfriamento. Os gases liberados também deslocam o ar, ajudando a abafar o fogo.
Como parte da pesquisa, um teste térmico descobriu que o composto de serragem de estruvita formava uma camada de material inorgânico e carbono quando inflamado, o que também evitou a propagação do fogo.
“Os painéis de serragem de estruvita protegem-se essencialmente”, diz Kürsteiner.

A placa de serragem de estruvita também é reciclável – ela se decompõe em seus componentes individuais quando quebrada por um moedor e aquecida, liberando a amônia e permitindo que a serragem seja peneirada.
Os pesquisadores esperam continuar otimizando o material e encontrar maneiras econômicas de ampliar o processo de produção. A estruvita é cara em comparação com ligantes poliméricos ou cimento, mas pensa-se que poderia ser proveniente de estações de tratamento de esgotos, onde frequentemente obstrui os canos de esgoto.
“Poderíamos usar esses depósitos como matéria-prima para o nosso material de construção”, diz Kürsteiner.
Outras inovações materiais que apareceram recentemente no Dezeen incluem pesquisas do MIT que transformaram plástico reciclado em treliças de piso para habitação, e pesquisas da Universidade de Edimburgo que usaram bactérias para transformar resíduos de plástico em uma droga para Parkinson.
A fotografia é de Ronny Kürsteiner, salvo indicação em contrário.







