A integração urgente de novas tecnologias e a consciência ecológica são prioridades na educação criativa, afirma Javier Fernández Contreras, professor associado e chefe do Departamento de Design Espacial/Arquitetura de Interiores da HEAD Genève.
Dezeen School Shows: Projetando o Futuro explora os desafios enfrentados pelos departamentos de design e arquitetura e as mudanças que eles estão implementando em resposta.
Recentemente, o currículo do HEAD Genève foi adaptado para incorporar uma abordagem “mais ampla e inclusiva” ao design, de acordo com Contreras.
Contreras explicou que o currículo foi expandido para considerar o impacto do design em entidades e ecossistemas não humanos, a influência da IA e da mídia virtual na prática criativa e a importância de projetar para uma diversidade de corpos e habilidades.
Esta evolução reflecte um reconhecimento crescente de que a arquitectura de interiores não se trata apenas de moldar espaços, mas de responder urgentemente às relações entre os seres humanos, a tecnologia e o ambiente.
Dezeen conversou com Contreras sobre o impacto que as tecnologias digitais estão tendo no comportamento humano, o papel do design na resiliência ecológica e o valor de manter o artesanato nas práticas criativas.
Rubi Betts: Que novos cursos foram desenvolvidos recentemente e por quê?
Javier Fernández Contreras: Nosso departamento introduziu recentemente uma série de cursos que abordam paradigmas emergentes em arquitetura de interiores.
Estes incluem cursos centrados no “não-humano” – explorando as relações entre espaços humanos e animais, plantas e sistemas ecológicos mais amplos – para repensar o design para além das perspectivas antropocêntricas.
Novos cursos sobre tecnologias digitais, como videogames e inteligência artificial (IA), examinam como os ambientes virtuais e as ferramentas computacionais estão transformando a experiência espacial, os processos de design e a colaboração criativa.
Finalmente, foram desenvolvidos cursos centrados na inclusão, nos corpos plurais e nos estudos sobre deficiência para garantir que a educação em design abrange a diversidade, a acessibilidade e a participação equitativa.
Atualmente também há uma forte demanda por cursos que combinem artesanato, conhecimento técnico e consciência ecológica. Os alunos são cada vez mais atraídos por disciplinas que equilibram a produção prática e o conhecimento dos materiais com abordagens sustentáveis de design.
Os cursos que enfatizam a integração das técnicas tradicionais com as preocupações ecológicas contemporâneas são particularmente populares, pois permitem aos alunos explorar a arte e a responsabilidade inerentes à criação de espaços que respondam aos desafios ambientais.

Rubi Betts: Que impacto as novas tecnologias tiveram nos cursos que você ministra?
Javier Fernández Contreras: As novas tecnologias transformaram profundamente o conteúdo e a oferta dos cursos de design. A modelagem digital, a realidade virtual e a IA expandiram as possibilidades de visualização, permitindo aos alunos prototipar e testar ideias de forma imersiva e interativa.
Os cursos integram cada vez mais design computacional e análise baseada em dados, ajudando os alunos a compreender mais profundamente o comportamento espacial e o desempenho ambiental.
Além disso, a tecnologia também se tornou um tema de investigação crítica – suscitando discussões sobre a ética digital, a incorporação virtual e as formas como a tecnologia medeia a nossa relação com o mundo natural.
Esta mudança tecnológica encorajou abordagens mais interdisciplinares, experimentais e inovadoras para o ensino de arquitetura de interiores.

Rubi Betts: Que novas habilidades são vitais para os alunos terem?
Javier Fernández Contreras: Os alunos agora precisam cultivar uma combinação de habilidades técnicas, conceituais e éticas.
Devem ser proficientes em ferramentas digitais emergentes – desde a modelação baseada em IA até à simulação espacial imersiva – ao mesmo tempo que desenvolvem sensibilidade aos contextos ecológicos e sociais.
Compreender como os materiais interagem com os sistemas vivos, conceber de forma inclusiva para corpos variados e traduzir o artesanato tradicional em práticas sustentáveis tornaram-se competências cruciais.
Essas habilidades permitem que os futuros designers enfrentem desafios complexos e contribuam significativamente para um mundo em rápida mudança.

Rubi Betts: Há alguma habilidade em que você está focado?
Javier Fernández Contreras: Sim, há uma maior ênfase na literacia digital crítica, na inteligência do design ecológico e no pensamento espacial inclusivo.
É dada agora mais atenção à compreensão de como as tecnologias digitais influenciam a percepção e o comportamento humanos, como o design pode apoiar a resiliência ecológica e como as práticas de design inclusivas podem promover um sentimento de pertença para todos.
O objetivo é ir além da proficiência técnica para cultivar designers reflexivos que possam pensar de forma criativa e ética sobre os ambientes que moldam.

Programas da Dezeen School: Projetando o Futuro
Este artigo faz parte de Dezeen School Shows: Designing the Future, uma série de entrevistas que exploram o ensino de design e arquitetura.







