"Experiência de Brasília" evocado na instalação interior do pavilhão de Niemeyer em São Paulo

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O estúdio de arquitetura Debaixo do Bloco destilou a paisagem, a arquitetura e a atmosfera de Brasília em uma instalação de escala doméstica no Pavilhão da Bienal de Oscar Niemeyer, em São Paulo.

Dentro do pavilhão modernista do Parque Ibirapuera Debaixo do Bloco Arquitetura o fundador Clay Rodrigues instalou uma exposição composta por uma série de pilotis, superfícies curvas e planos contínuos, além de uma seleção com curadoria de móveis modernistas brasileiros.

Instalação no Pavilhão da Bienal de Oscar Niemeyer em São Paulo
A instalação Brasília em Escala Doméstica interpreta a essência da capital em escala doméstica

O objetivo é evocar a memória cultural e a essência da capital do Brasil e traduzir “a monumentalidade de sua arquitetura pública em uma escala íntima”.

“O espaço não busca representar a cidade, mas entender o que molda sua atmosfera”, disse Rodrigues.

Rodrigues apresentou a instalação durante a inauguração da Bienal Brasileira de Arquitetura em São Paulo.

Pavilhão da Bienal de Niemeyer torna-se local para examinar a arquitetura e a atmosfera de Brasília
Pavilhão da Bienal de Niemeyer torna-se local para examinar a arquitetura e a atmosfera de Brasília por meio de móveis e outros elementos

Intitulada Brasília em Escala Doméstica, a exposição relembra muitas das características do Plano Piloto, núcleo urbano central de Brasília planejado por Lúcio Costa em 1956.

Niemeyer projetou muitos dos prédios federais da cidade, então seu Pavilhão da Bienal – que exemplifica seu estilo arquitetônico modernista – serviu como local adequado para esta exposição.

Uma exposição de móveis modernistas brasileiros em uma sala com carpete verde
As superfícies curvas evocam a arquitetura federal de Niemeyer, enquanto o tapete verde remete à sede do Partido Comunista Francês em Paris.

Os planos extensos e superfícies curvas característicos do falecido arquiteto são recriados no espaço de 100 metros quadrados, formando paredes esculturais e divisórias espaciais em torno das quais as vinhetas dos móveis são dispostas como quartos em uma casa.

“A ausência de ornamento reforça uma leitura mais tranquila do espaço, sugerindo que a própria arquitetura pode moldar o interior”, disse Rodrigues.

Móveis de modernistas brasileiros combinados com peças de designers internacionais, incluindo George Nelson e os Eames
Móveis de modernistas brasileiros combinam com peças de designers internacionais, incluindo George Nelson e os Eames

A fachada envidraçada do pavilhão evoca inerentemente aqueles encontrados em Brasília, enquanto um tapete verde espalhado por toda parte faz referência à sede do Partido Comunista Francês de Niemeyer, em Paris.

Balcões de concreto pré-moldado e uma ilha na área da cozinha representam a velocidade com que a nova capital foi construída.

Móveis dos modernistas brasileiros Jorge Zalszupin, Joaquim Tenreiro e Sergio Rodrigues são combinados com luminárias Dominici que “reforçam a continuidade desse vocabulário moderno”.

Uma tapeçaria colorida de artista brasileiro Tarsila do Amaral está pendurado em uma parede branca, enquanto móveis adicionais de George Nelson e dos Eames fazem referência ao alcance internacional do modernismo.

Lavatório em concreto pré-moldado com bacia no topo, próximo a coluna branca
Elementos pré-moldados de concreto fazem referência à velocidade com que Brasília foi construída

“O espaço propõe assim um encontro entre arquitetura e memória”, disse Rodrigues. “Uma tentativa de traduzir, em escala nacional, a experiência de estar em Brasília.”

Debaixo do Bloco trabalhou extensivamente em Brasília, tendo anteriormente aberto o layout de um apartamento da década de 1960 e projetado uma casa de concreto composta por três volumes.

Tapeçaria da artista brasileira Tarsila do Amaral dá cor a parede branca
Tapeçaria da artista brasileira Tarsila do Amaral dá cor às paredes brancas

Em janeiro de 2023, manifestantes danificaram os icônicos edifícios do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal, projetados por Niemeyer, após invadirem a capital.

Isto motivou uma proposta para transformar o complexo numa “fortaleza para proteger a democracia”.

A Bienal Brasileira de Arquitetura aconteceu de 25 de março a 30 de abril, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Para mais acontecimentos internacionais em arquitetura e design, visite Dezeen Events Guide.

A fotografia é de Pedro Russo.

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