Blocos cerâmicos de cobogó e azulejos de caquinhos formam a cozinha deste apartamento paulistano reformado pelo estúdio brasileiro Cota760 Arquitetura.
Cota760 Arquitetura reformulou a residência de um jovem casal no bairro Vila Madalena, na cidade, como um pied-à-terre quando eles retornam de sua principal casa no campo.
O ateliê utilizou dois materiais fundamentais para dar caráter compacto ao apartamento: blocos de cobogó e azulejos de caquinhos, ambos típicos da construção local.
“O projeto reinterpreta elementos tradicionais da arquitetura brasileira para construir um espaço doméstico contemporâneo enraizado na memória, na materialidade e no uso cotidiano”, disse o estúdio. “Na cozinha, esses elementos se organizam como um núcleo forte e expressivo em tons de terracota que estrutura o espaço”.

A reforma envolveu a reconfiguração do layout do apartamento para melhorar a fluidez, principalmente entre a cozinha, as áreas de estar e de jantar.
A entrada através de um volume pintado em terracota abre-se agora diretamente para a área da cozinha, que é demarcada por fragmentos irregulares de caquinhos instalados no chão.

Uma seção de concreto aparente ao lado da porta é usada para pendurar casacos, e uma viga de concreto se estende daqui sobre a península da cozinha.
Esse elemento é construído em grande parte a partir de blocos de cobogó – tijolos quadrados perfurados, originados na década de 1920, comumente utilizados no Brasil como biombos e divisórias.

Os blocos em tons de terracota são empilhados retos para sustentar a bancada de granito vermelho Brasília e se estendem até a viga de concreto para disfarçar a área de serviço no canto.
“A lavanderia permanece aberta e funcional, com os cobogós ocultando parcialmente a área sem isolá-la completamente do restante do apartamento”, afirmaram os arquitetos.

Mais fragmentos de azulejos caquinhos formam o backsplash da cozinha atrás da pia e da geladeira, entre os armários revestidos de compensado.
Racks de metal branco são suspensos acima de ambos os balcões para fornecer armazenamento aberto adicional e um local para plantas rasteiras.

Na área de estar, o piso transita para um parquet em espinha de peixe, enquanto os móveis em tons neutros continuam a paleta terrosa.
“A sala mantém uma paleta mais neutra e incorpora peças de mobiliário pré-existentes dos moradores, criando um cenário calmo que permite à cozinha assumir uma presença arquitetônica mais expressiva”, afirma Cota760 Arquitetura.
Em um banheiro pequeno, ladrilhos quadrados de terracota são colocados acima do balcão da penteadeira, enquanto o concreto reveste as paredes e o piso abaixo. O armazenamento de madeira compensada embaixo da bacia combina com a carpintaria da cozinha.
Outro banheiro apresenta azulejos turquesa brilhantes atrás do vaso sanitário e da pia laranja queimado, além de mais fragmentos de azulejos caquinhos no chão.

Ao repetir esses materiais por todo o apartamento, a Cota760 Arquitetura faz referência às texturas e cores das casas brasileiras construídas entre as décadas de 1940 e 1960.
“Através da reinterpretação destes materiais, o Apartamento Caquinhos transforma uma habitação urbana convencional num retiro compacto mas expressivo”, afirma o estúdio. “O projeto demonstra como materiais simples e familiares podem estruturar espaços que são funcionais e profundamente conectados à memória cultural”.

Uma grande proporção dos paulistanos vive em prédios residenciais altos e muitos são criativos na decoração de seus apartamentos.
Características incomuns nessas casas vão desde uma parede de escalada e uma escada escultural até um banheiro totalmente revestido de azulejos verdes.
A fotografia é de Leila Viegas.







