Imagine um contêiner dentro de uma casa? A Cabana Celeiro prova que isso é possível, em um projeto contemporâneo que interpreta o estilo rústico.
O contêiner é justamente o grande destaque do projeto. Posicionado no centro da cabana, assume o papel de protagonista e é mais do que um elemento estrutural. Afinal, organiza os ambientes, imprime personalidade e reforça a identidade autêntica da proposta.
Assinado por Victória Florence, o projeto traduz uma arquitetura que acolhe, característica marcante do trabalho da profissional de Cachoeira do Sul (RS). Além disso, é um exemplo de como a arquitetura contemporânea tem se mostrado cada vez mais aberta a releituras, misturas e ressignificações.
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Contêiner é conceito que organiza e dá identidade
Ao contrário do uso tradicional do contêiner como módulo periférico ou solução improvisada, na Cabana Celeiro ele ocupa o centro do espaço e se transforma em eixo organizador da planta.
Essa decisão cria uma dinâmica fluida entre os ambientes e estabelece uma hierarquia clara, sem a necessidade de divisórias convencionais.
O contêiner funciona como um volume escultural, delimitando áreas sociais como sala de estar, de jantar e cozinha de forma intuitiva. Sua presença é marcante, mas equilibrada, dialogando com a estrutura em alvenaria e com o pé-direito alto, típico das construções inspiradas em celeiros.
Como resultado, vemos um espaço que surpreende sem causar estranhamento, combinando a robustez do contêiner com o aconchego de materiais e cores naturais.
Porcelanato amadeirado dá toque rústico ao projeto
A Cabana Celeiro se apoia em elementos rústicos clássicos, mas tudo é reinterpretado sob uma ótica contemporânea. As linhas são limpas, a paleta é cuidadosamente pensada e não há excessos decorativos.
Entre os exemplos está a madeira em porcelanato Boreal Mix, que permeia todos os ambientes. O revestimento da Portobello tem formato de tábua (20×120 cm) e acabamento natural.
Equilibrando a aparência rústica com a contemporaneidade do contêiner, Boreal Mix é inspirado nas florestas boreais do hemisfério norte e traduz, em revestimento, a força e a beleza das madeiras claras típicas dessa região.
Com nuances douradas, presença de nós e uma mistura proposital de tons, o revestimento cria um efeito mais rústico e autêntico.
Ambientes integrados, mas bem definidos
Na Cabana Celeiro, a integração entre estar, jantar e cozinha ao redor do contêiner central favorece a convivência e confere a sensação de amplitude, mesmo em uma construção de proporções controladas.
Pintado de verde com vigas em preto, o contêiner contribui ainda para a sensação de aconchego por remeter à natureza, além de ganhar destaque na planta da cabana. Graças ao tom que se sobressai, fica mais fácil entender onde começa e onde termina cada ambiente.
Na sala de estar, elementos aconchegantes
A começar pela sala de estar, que convida ao descanso. Ela traz mobiliário de linhas simples e texturas que reforçam o conforto visual, como fibras naturais e tons terrosos como bege e marrom.
Móveis de madeira, plantas na decoração e a lareira da sala também são essenciais para dar aquele toque de casa de campo que conforta.
Sala de jantar com mesa ampla e integração com cozinha
Passando para a sala de jantar, tem mesa em madeira em estilo rústico, com pés em formas abauladas e orgânicas, dialogando com o design biofílico. Para completar o conforto, poltronas acolchoadas em um cinza esverdeado que combina com o tom do contêiner, fazendo uma transição ideal para o preto usado na cozinha.
Inclusive, o fato de estar bem próxima à cozinha, integrada pelo contêiner, faz com que a sala de jantar seja bastante prática e ideal para quem gosta de receber.
Cozinha completa com jeito de casa de campo
Por falar em cozinha, ela dialoga com o restante do ambiente por meio de materiais que combinam resistência e estética, mantendo a unidade do projeto. A transição para esse espaço acontece por meio de uma bancada ampla e que também serve para refeições rápidas.
Com mobiliário planejado em madeira com detalhe preto, assim como o assento das banquetas, a cozinha se torna um palco perfeito para criar memórias afetivas por meio dos sabores.
Vale destacar que a mobília foi pensada para oferecer praticidade e atender às necessidades de quem vai usar a cozinha. Além das portas e gavetas, tem espaço para garrafas, eliminando a necessidade dos armários aéreos.
A parede de tijolinho ao fundo da escada é mais um dos elementos rústicos do projeto. O elemento, inclusive, dialoga com a estética da churrasqueira que está na cozinha e amplia as possibilidades na hora de cozinhar para familiares e amigos.
Para suavizar e conferir amplitude, a parede da área molhada da cozinha tem revestimento Gouache Nuage, no formato 15,5×15,5 cm.
Ele leva para a parede da cozinha a expressividade da pintura artística, com nuances sutis e camadas de cor que surgem a partir do movimento do pincel. Seu relevo suave valoriza a tonalidade e confere profundidade à superfície, resultando em um visual sofisticado e sensorial.
Iluminação e sensorialidade dos espaços
Já a iluminação foi pensada como elemento estratégico no projeto. A luz natural é amplamente aproveitada, valorizando o pé-direito alto e reforçando a conexão com o entorno. Grandes aberturas permitem que o exterior dialogue com o interior, ampliando a percepção de espaço e conforto.
À noite, a iluminação artificial assume um papel mais intimista. Pontos de luz bem posicionados destacam texturas, volumes e materiais, criando cenários acolhedores e reforçando a atmosfera de refúgio.
O contêiner, novamente, ganha destaque ao ser iluminado de forma sutil, evidenciando sua importância na composição do projeto.
Portanto, a Cabana Celeiro mostra que é possível inovar sem perder o vínculo com referências tradicionais. Ao transformar o rústico em contemporâneo, a arquiteta entrega uma cabana que é, ao mesmo tempo, forte e sensível, funcional e poética.
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