Falar de Orgulho LGBTQIA+ é também falar sobre o direito de morar. No dia 28 de junho, o mundo para em cores, performances e discursos de resistência para o Dia Internacional do Orgulho. Mas a ideia de gênero e moradia para quem vive na periferia é diária e urgente. Pois é justamente sobre o quarto que não existe para elas, sobre gênero e sobre a (falta de) segurança dentro de casa.
Você já parou para pensar que, para muitas pessoas LGBTQIA+ na periferia, “voltar para casa” pode ser mais perigoso do que estar na rua? O lar, que deveria ser abrigo, vira campo de violência psicológica, física e/ou expulsão silenciosa. Jovens gays, lésbicas, bi, travestis e pessoas trans são frequentemente forçadas a sair de casa ainda na adolescência por não corresponderem às expectativas de gênero impostas pela família.
O resultado?
Dados do período recente mostram que mais da metade da população trans no Brasil já foi expulsa de casa. De acordo com relatório do Atlas da Violência em 2024, existe uma violência maior contra jovens de 15 até 29 anos, que indicam um período de maior exposição familiar às questões escolares e ligadas à orientação sexual.
Por isso, sem redes de apoio e sem acesso à moradia digna, muitas dessas pessoas acabam em ocupações ou nas ruas, sobretudo nas bordas das cidades, onde o Estado quase não chega.
Sem crédito, sem documento, sem teto: as barreiras de construir sendo LGBTQIA+
Construir moradia para jovens LGBTQIA+ periféricos é urgente, mas,, é preciso enfrentar os obstáculos que já os expulsam de casa e os mantêm fora de qualquer política habitacional. Ter a própria casa, para um jovem gay expulso de casa ou para uma mulher trans que não consegue emprego formal, é um sonho distante. Sem acesso a financiamento, sem fiador, sem vínculo empregatício estável e muitas vezes sem documentos em dia com o nome social, o sistema bancário e os programas habitacionais simplesmente as excluem.
Orgulho é também ter chave própria
Defender o orgulho LGBTQIA+ nas periferias é defender que uma pessoa trans consiga alugar um quarto sem ser recusada pelo proprietário. É garantir que um jovem gay possa se assumir sem sair de casa. É projetar praças, equipamentos públicos e calçadas que acolham corpos e afetos diversos.
Arquitetura e urbanismo nunca são neutros. Ou constroem exclusão, ou constroem pertencimento. Neste Dia Internacional do Orgulho, convidamos você a pensar: como os espaços que você habita todos os dias poderiam ser mais seguros e acolhedores para pessoas LGBTQIA+? E, se você é uma pessoa arquiteta, estudante ou liderança comunitária, que compromisso você pode assumir para que a próxima geração não precise escolher entre ser quem é e ter onde morar?
O Projeto Arquitetura na Periferia existe para mostrar que é possível e necessário projetar com amor, com escuta e com coragem. E amor, na periferia, é ato político. Amor é garantir que ninguém precise implorar por um teto só porque ama de um jeito diferente.