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O arquiteto Bruno Borges estreia na CASACOR São Paulo com um banheiro que foge ao convencional. O percurso repleto de arte convida ao estado de presença, e tem feito sucesso nas redes.
O banheiro de 33 m² propõe um percurso sensorial e introspectivo, no qual arquitetura, arte e ritual se articulam para provocar um estado de presença.
“A saudade é, por definição, uma fenda no tempo. É o presente sentindo falta de um passado que ainda está vivo dentro de nós.” Na CASACOR São Paulo 2026, o banheiro de 33 m² desenhado pelo escritório BSB Arquitetura propõe um percurso sensorial e introspectivo. O Banho da Saudade foi concebido como uma experiência de desaceleração, na qual arquitetura, arte e ritual se articulam para provocar um estado de presença. Já na entrada, ao atravessar um arco, as obras A Descoberta e Pachamama, de Bruno Passos, apresentam figuras distorcidas que evocam a fragilidade e a complexidade da condição humana, entre vulnerabilidade e proteção.
Ao centro, o sofá Bacio, de Karol Suguikawa, remete simbolicamente ao primeiro beijo e às memórias afetivas primordiais. “Seu veludo macio cria uma atmosfera de acolhimento e introspecção, dialogando com o tapete Profundezas, desenhado pelo escritório, e instiga o visitante a se entregar por completo à experiência”, afirma o arquiteto Bruno Borges, sócio-fundador do escritório.

Na parede oposta, a obra Santo Lar de Vertigem, de Caio Cruz, surge como um fragmento difuso da infância, ampliando a dimensão psicológica do ambiente. O banco Jogada, também desenhado pelo escritório, complementa o mobiliário. “Entre o jogo da velha e o cubo mágico, a peça sugere encontros, decisões e as escolhas no jogo da vida”, explica Bruno. Junto a um diário aberto, o visitante é convidado a registrar suas próprias saudades.
Um portal em Laminox, com acabamento em pedra e inox, sustenta a viga original do edifício. Ali, o visitante encontra fragmentos de histórias e memórias preservadas, além da obra O Interior das Coisas Macias, também de Caio Cruz.

Antes de prosseguir, a obra 108 Vezes Agora, criada pelo arquiteto em parceria com a artista Patrícia Cavalli, apresenta um japamala monumental. “Suas esferas guardam fragmentos do passado: flores de um casamento, chaves de uma casa sonhada, o brinco da primeira filha. Um gesto de gratidão que reconecta ao presente”, conta.
O percurso segue por um túnel listrado, que provoca uma leve vertigem e simboliza o fluxo contínuo da mente. Ao abrir as cabines, espelhos ampliam o espaço e revelam uma pergunta norteadora: “Quem é você quando ninguém está olhando?”

Ao lavar as mãos na bancada em inox de rigor cirúrgico, o visitante é confrontado pela obra de Felipe Lanzas, composta por máscaras de malha metálica translúcidas que representam as diferentes versões assumidas socialmente. E, então, se depara com sua própria imagem em um espelho convexo que materializa a palavra saudade, refletindo tanto a presença quanto a falta.

O ambiente é banhado pela luz natural filtrada por um vitral artesanal de quase 4 metros. O desfecho ocorre diante da escultura Levitação, de Leopoldo Martins, sobre um banco de quartzito Tempest Green, reconstruído manualmente com técnica inspirada no kintsugi, revelando a beleza do que foi reparado.
Acompanhando todo o trajeto, uma paisagem sonora em frequência de 528 Hz é pontuada pelo som de vidro quebrando — um estalo sensorial que ancora a mente. “O Banho da Saudade propõe, assim, um espaço de pausa, memória e reconexão. Um mergulho na mente, revelando fragmentos que o tempo transformou em memória. Um convite para olhar para dentro e reconhecer que, mesmo quebrados, continuamos inteiros”, conclui.






