Concreto aparente, janelas com estrutura de aço e tijolos artesanais fazem referência ao antigo local industrial da Casa Agramonte, uma casa em Portugal projetada pelo estúdio local António Bessa Cruz Architects.
A casa situa-se no local de uma antiga oficina automóvel junto ao Cemitério de Agramonte, no Porto, que o cliente tinha originalmente planeado converter numa casa tipo loft.
Quando isto se revelou estruturalmente impossível, António Bessa Cruz Arquitectos (ABCA) decidiu substituí-lo por uma casa recém-construída que ecoasse o antigo edifício industrial, informando tanto a paleta de materiais quanto o layout do pátio insular.
“O espaço não tinha condições de habitação ou de simples remodelação, mas o cliente pretendia convertê-lo em loft, pelo que me propus a desenvolver um projecto de arquitectura inspirado naquele contexto”, disse o fundador António Cruz a Dezeen.
“O principal desafio foi conceber uma habitação que garantisse luz natural abundante, espaços abertos generosos e uma ligação visual mínima ou nula com o exterior – evitando sobretudo vistas para o cemitério”, continuou.
“A escolha dos materiais decorre desta intenção de criar uma atmosfera de ‘loft’, conseguida através da utilização de betão, tijolo maciço, divisórias de aço e vidro e madeira de carvalho escuro.”

Para bloquear o cemitério próximo, a forma em L da Casa Agramonte apresenta uma face quase totalmente vazia para a rua, exceto por uma fileira de janelas de alto nível que atraem a luz do dia para um espaço central de estar, jantar e cozinha.
Ladeando uma grande mesa de jantar de madeira no centro deste espaço estão duas seções envidraçadas semelhantes a um armazém, com portas e janelas que podem ser abertas emolduradas em aço preto gradeado. Eles se abrem para pátios pavimentados e com muros altos em ambos os lados.
A cozinha é envolta por armários de altura total com acabamento em carvalho escuro, enquanto na área de estar, um sofá modular cinza é emoldurado por paredes de concreto aparente em frente a uma grande escadaria de concreto iluminada por janelas de clerestório.
Na ala perpendicular do térreo, três quartos e dois banheiros ficam em um corredor de tijolos, cada um orientado para aproveitar a vista de um dos pátios da casa.

No primeiro andar, menor, a suíte principal possui uma cama elevada sobre um pedestal de madeira e um closet forrado de carvalho escuro.
Nos quartos, as paredes de concreto aparente do térreo foram trocadas por uma mistura de alvenaria branca e paredes maiores de blocos.

Para os banheiros, uma mistura de blocos e tijolos pintados a carvão é acompanhada por azulejos brancos com rejunte preto, ferragens tubulares e telas de aço preto que dão continuidade ao toque industrial.
Noutras partes do Porto, a prática local Fala Atelier transformou anteriormente um armazém numa casa definida por grandes espaços abertos, e Álvaro Siza adicionou recentemente uma extensão angular de betão a um mosteiro renovado.
A fotografia é de Alexandre Bogorodsky.







