O estúdio local Bloco Arquitetos concluiu uma casa em Brasília cercada por telas de tijolos e amplos portais de entrada que abrem o pátio central para o exterior.
Conhecida como Casa Tupin, a residência de 420 metros quadrados (4.520 pés quadrados) é retangular com um grande pátio central.
A casa 2025, inserida em condomínio fechado a 20 quilômetros de Brasília, foi projetada para integrar o interior e o exterior com o pátio, que funciona tanto como espaço de lazer quanto como núcleo conectivo da casa.
“Uma casa sem janelas, que é ela própria uma janela – mais do que abrir vistas pontuais, o projecto procura transformar todo o corpo arquitectónico num mediador entre a vida interior e a paisagem envolvente”, Bloco Arquitetos disse a Dezeen.

“Essa abordagem resulta em um edifício que envolve o meio ambiente por meio do desempenho, e não da transparência”, disse o estúdio.
Em vez de grandes extensões de vidro, os planos verticais entre a laje elevada de concreto e a estrutura profunda do telhado são de tijolos de cor coral – dispostos como paredes sólidas ou telas semelhantes a um relógio de brisa – envolvendo a casa em textura e luz filtrada.

Selecionados pela durabilidade e consistência da composição, o tijolo e o concreto protegem o interior do calor excessivo. A paleta restrita permite que luz, sombra e tempo façam parte da arquitetura, explicou o estúdio.
“Esta fachada porosa atua simultaneamente como proteção solar e como filtro de ventilação permanente, permitindo que o ar flua em todas as direções pela casa”, afirmou o estúdio.
“Todos os espaços são organizados em relação a este sistema, que integra estrutura, controle climático e experiência espacial em uma única estratégia arquitetônica”.
A circulação, os espaços de convivência e as áreas privadas são dispostos de forma a maximizar a ventilação cruzada e a ideia da casa como uma experiência arquitetônica contínua que segue a lógica estrutural do projeto.
Apoiado em 12 pilares, três quartos da planta são elevados acima do solo para puxar a ventilação natural por baixo da casa, preservar a topografia existente e permitir que as plantas nativas da savana brasileira – ou Cerrado – cresçam sob a residência.

“Essa elevação também permite que os pequenos animais nativos do Cerrado – principalmente lagartos e corujas – circulem livremente entre o jardim externo e o pátio interno”, disse o ateliê, lembrando que o layout também permitiu a preservação de uma árvore existente no centro do pátio.
Suspender a casa e destacá-la do solo ajudou os projetistas a conectar o conceito espacial com os objetivos ambientais.

“Essa clareza estrutural permitiu que o edifício parecesse estável e leve, reforçando a ideia de elevação como estratégia arquitetônica e ambiental”, disse o estúdio.
“Outra conquista importante foi reverter a percepção de transparência – embora a casa pareça fechada e opaca por fora, o interior é aberto, fluido e visualmente expansivo.”
Outros projetos residenciais recentes que utilizam telas para ventilação incluem a reforma de uma casa porto-riquenha de Paul Raff e uma casa de madeira em Goa, na Índia, do Field Atelier.
A fotografia é de Joana França.







